sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Leomar: o depoimento de uma vida voltada aos especiais



JORNAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE 29 DE AGOSTO DE 2013

Leomar: o depoimento de uma vida voltada aos especiais



Profª Leomar Marchesini sendo homenageada e familiares
Quem conhece a psicóloga e professora Leomar Marchesini e sua dedicação à causa de inclusão de pessoas com deficiências na educação superior, sabe que ela não brinca em serviço. No Grupo Educacional Uninter ela realiza um notável trabalho, que tem amplo reconhecimento comunitário. Dia 20, o Clube Soroptimista Internacional reconheceu, em Curitiba, a ação única de Leomar, homenageando-a com jantar e admitindo-a em seus quadros associativos.
A carta que segue fala mais que qualquer outro relato sobre a homenagem. E nos dá uma informação preciosíssima: o Grupo Uninter, curitibano legítimo, é campeão brasileira na inclusão de homens e mulheres com deficiência na educação universitária:
QUERIDO AMIGO AROLDO:
Conforme me pediu, envio-lhe fotos da Noite de Premiações do SOROPTMIST INTERNATIONAL OF THE AMERICAS, do dia 20 de agosto.


Recebi o Prêmio Rubi, que é o maior prêmio concedido pela referida organização americana, a uma senhora da sociedade que, por seu trabalho, faz a diferença na vida de muitas pessoas. No meu caso é pelo trabalho de inclusão de pessoas com deficiência na educação de nível superior, o caminho que considero fundamental para que obtenham seu espaço no mercado de trabalho qualificado, uma vez que são capazes e eficientes. Eu acredito que um curso de nível superior favorece as pessoas com deficiência, sobremaneira, para exercerem plenamente sua cidadania e o “empoderamento” de suas vidas.
COM ELIAS ABRAHÃO
Comecei a trabalhar com pessoas com deficiência quando fui diretora do Departamento de Educação Especial, na gestão do saudoso Prof. Elias Abrahão como Secretário de Estado da Educação do Paraná, no primeiro governo Requião. Em 2005 vim para o Uninter onde a diretoria me propôs a criação de um Programa de Inclusão. No ano de 2006 fundei o SIANEE Serviço de Inclusão e Atendimento aos Alunos com Necessidades Educacionais Especiais do Grupo Uninter. Desde então coordeno o setor, que atualmente tem vinte colaboradores, sendo quinze tradutores intérpretes de Libras Língua Brasileira de Sinais (todos credenciados pelo MEC) e cinco colaboradores administrativos pedagógicos TODO O QUE É POSSÍVEL No SIANEE promovemos todas as condições físicas, metodológicas e humanas para que pessoas com deficiência possam efetivar cursos de nível superior com pleno aproveitamento dos conteúdos de cada área de conhecimento.
Convertemos para mídia magnética o material didático para aos alunos com deficiência visual; disponibilizamos tradutores intérpretes de Libras qualificados pelo MEC, em todas as aulas, de todas as disciplinas de cursos nos quais haja aluno surdo, aplicamos provas, criamos procedimentos e tecnologia assistiva para os alunos. Termos aluno autista, com Síndrome de Asperger, fazendo Curso de Administração e saindo-se bem, porque eu capacito os docentes para o trabalho em sala de aula. Aliás, capacito todos os docentes do Centro Universitário Uninter para a prática pedagógica com alunos cegos, alunos surdos, alunos com deficiência psicossocial e alunos múltipla deficiência.
O EMBLEMÁTICO ROBINSON
Já formamos um aluno com múltipla deficiência, cego e com vida restrita ao leito, devido uma doença degenerativa. O Robinson Wanderley da Silva.
Ele só movimenta no corpo, três dedos da mão esquerda, com os quais digita, deitado, com o teclado do computador sobre o peito. Seu sonho era estudar, porque é muito inteligente. Colocamos uma antena da EAD Uninter em sua casa e ele assistia, ou melhor, ouvia as aulas deitado em sua cama. Aplicávamos as provas em sua casa e ele saia-se muito bem. Este rapaz formou-se no Curso Superior Tecnológico em Comércio Exterior, com notas oito e nove. Fizemos a outorga de grau em sua casa, com Prof. Picler de beca e todo o protocolo respeitado. Nesta ocasião emblemática para a inclusão, tivemos a presença de representantes das Secretarias de Educação Municipal e do Estado e até representante do governador. Hoje o Robinson faz pós-graduação em Relações Exteriores, tem um blog, e milita pela causa das pessoas com deficiência, que não podem se locomover, terem o direito de trabalhar em casa, contratadas por empresas, em cumprimento da Lei de Cotas.
VERA CHRISTINA: CEGA E CADEIRANTE
O SIANEE também formou a Vera Christina dos Santos, pessoa com dupla deficiência, cega e cadeirante, residente do Instituto Paranaense de Cegos, que concluiu o Curso Superior de Marketing. E por aí vai.
Até o momento, já passaram pelo atendimento educacional do SIANEE, e concluíram seus cursos no Uninter, mais de duzentos alunos com necessidades educacionais especiais. A cada visita dos avaliadores do MEC recebemos os mais expressivos elogios. Eles nos dizem que não conhecem trabalho igual em nosso país. O Programa de Inclusão Uninter com o SIANEE, passou a ser uma referência em Curitiba. Frequentemente recebo ligações de outras instituições de nível superior, como FAE, PUC, Unibrasil e Positivo, pedindo orientações sobre procedimentos com alunos com deficiência, referentes a apresentações de trabalhos, avaliações e estágios. O que fazemos no SIANEE não tem nos livros teóricos. Estou criando cada procedimento. Neste sentido posso dizer que sou uma autodidata.
UMA BATALHA CONTRA OS PRECONCEITOS E TABUS
Graças a Deus, estou conseguindo sucesso no trabalho que desenvolvo no Uninter, mas a luta é muito grande ainda, contra o preconceito e os tabus oriundos da ignorância da maioria das pessoas, sobre as pessoas com deficiência e seu potencial. Inclusive de professores que, após esclarecidos, confessam seu desconhecimento e surpresa diante da realidade das deficiências e da prática educacional adequada a ser adotada na docência inclusiva. Enquanto a visão clínica das deficiências enfatiza a perda, o déficit, a nossa visão educacional enfatiza o potencial. É com este potencial, com o que está funcionando bem em cada aluno com deficiência, é que iremos trabalhar. Acredito que no Uninter já estamos obtendo uma cultura inclusiva. O próprio Chanceler Prof. Wilson Picler, hoje prestigia muito o nosso trabalho.
Minha visão de inclusão educacional não me permite isentar os alunos com deficiência do domínio do conhecimento, uma vez que formamos profissionais. Portanto, fazemos todas as adaptações, ajustes, flexibilizações e adequações necessárias à diversidade de cada um, mas jamais os isentamos da aprendizagem real dos conteúdos de seu curso, cobrando conhecimentos da mesma forma que dos demais alunos sem deficiência. Enfatizando que todos os procedimentos criados pelo SIANEE estão em conformidade com o MEC e a legislação brasileira.
Eu mesma sou uma militante da inclusão. Além de minha atuação no Uninter, pertenço ao CVI RM Centro de Vida Independente de Curitiba e Região Metropolitana, no qual sou conselheira educacional, e ao Fórum dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Grande Curitiba. Tenho excelente relacionamento com o Ministério Público do Paraná, na Defensoria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, cujo Promotor de Justiça Doutor José Américo Penteado de Carvalho, reconhece, valoriza e elogia muito o trabalho que faço no SIANEE Uninter em favor da inclusão legítima da pessoa com deficiência na educação e na sociedade.
NO BRASIL, NINGUÉM SUPERA A UNINTER
Em agosto de 2013 o SIANEE tem cadastrados 32 alunos com deficiência nos cursos na modalidade presencial e 529 alunos nos cursos de graduação e pós-graduação na modalidade a distância, espalhados pelos Polos de Apoio Presenciais do Uninter em todos os estados do Brasil. Neste caso, além de capacitar os docentes para aulas acessíveis, também capacito os coordenadores pedagógicos de Polos e tutores, para o trabalho eficaz com os alunos com deficiência de seus Polos, indo visitar as cidades quando necessário. Totalizando, estamos no presente com 561 alunos com necessidades educacionais especiais no Centro Universitário Uninter, a instituição de nível superior que apresenta o maior número deste alunado especial no Brasil. Este é resultado de sete anos e meio de trabalho com muita dedicação e fé, cujo sofrido início você, meu amigo Aroldo, testemunhou. Fico à disposição para as informações que desejar.
Profª Leomar Marchesini
Coordenadora do SIANEE – Serviço de Inclusão e Atendimento aos Alunos com Necessidades Educacionais Especiais

Atenciosamente,

CARLOS EDUARDO SILVA
SIANEE
Serviço de Inclusão e Atendimento aos Alunos
Com Necessidades Educacionais Especiais
Fone: 41 2102-3338

O INACESSÍVEL É INACEITÁVEL.




Centro Universitário Internacional - UNINTER
Unidade Tiradentes
Rua Saldanha Marinho, Nº 131 – 3º Andar - Centro - Curitiba PR





Uma análise do Eng. Antonio Borges dos Reis



Antonio Borges Dos Reis mencionou você em um comentário.
Antonio escreveu: "O FANTÁSTICO fez o um grande serviço a nossa causa Marcos. A história que você contou sobre a Christina infelizmente não é a realidade da maioria de nossas escolas. Além de precisarmos de educadores especializados o bullyng é uma realidade no meio escolar. O que queremos é que os pais continuem tendo o direito de escolher o melhor para os seus filhos, se em escola normal ou especial. Eu lhe diria que 90% podem freqüentar uma escola da rede normal, mas cerca de 10% não. É para estas pessoas que devemos redobrar nossos esforços. Infelizmente o sistema educacional brasileiro ainda não está preparado para receber todas as pessoas atingidas pelos mais variados tipos de autismo, assim como de outras deficiências também. Além de ter participado a muitos anos como dirigente de entidades que prestam serviços a PcD tenho muitos amigos pais que sentiram o sofrimento de seus filhos quando em salas de aulas comuns. O ensino especial não pode acabar. Temos nos EUA inclusive uma Universidade para surdos a mais de 150 anos, assim como outras na Europa também. No Brasil temos muito o que avançar nesta área. Nosso amigo em comum João Carlos Cascaes e a líder da ONG Mundo Azul, a paranaense Berenice Piana que foi uma das entrevistadas no FANTÁSTICO podem lhe esclarecer mais sobre este assunto, assim como o Dr Rui Pilotto, professor da UFPR e pertencente ao quadro de diretores da FEDERAÇÃO NACIONAL DAS APAES.
Abraços
Borges"
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

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